Representando o Bosque Modelo Hileia Baiana, Programa participou de workshop na Bolívia que reuniu experiências sobre restauração, manejo do fogo, produção regenerativa, inclusão e monitoramento.
Experiências desenvolvidas no território do Bosque Modelo Hileia Baiana entraram em diálogo com iniciativas de diferentes países latino-americanos durante o workshop de coordenação e aprendizagem do projeto Acción Climática Alimentaria (ACA), realizado em agosto de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
O Programa Arboretum esteve representado por Renata Barros no encontro, que reuniu integrantes de Bosques Modelo para compartilhar práticas e construir aprendizados sobre restauração ecossistêmica, manejo integrado do fogo, sistemas alimentares, governança, inclusão social e monitoramento.
Executado pela Rede Latino-Americana de Bosques Modelo no âmbito do programa REVIVE, o projeto ACA busca fortalecer soluções lideradas localmente e relacionadas à restauração de florestas e paisagens, resiliência climática e sistemas alimentares.
Durante o workshop, o Programa, representando a Hileia Baiana apresentou características e experiências de seu território. Entre as ações compartilhadas estiveram a prevenção de incêndios, restauração com espécies nativas e agrícolas, aumento da cobertura arbórea, pesquisa de espécies de interesse, coleta e cuidado de sementes e atividades de educação e formação comunitária.
A troca com outros Bosques Modelo mostrou que, apesar das diferenças entre os territórios, muitos desafios são comuns. Incêndios, degradação, pressão sobre recursos naturais e necessidade de conciliar conservação e produção aparecem em diferentes contextos e têm levado à construção de soluções que combinam conhecimento científico, experiência das comunidades e adaptação às condições locais.
Sistemas produtivos também podem restaurar

Entre os temas que ganharam destaque estiveram os Sistemas Agroflorestais, a produção regenerativa, os sistemas silvipastoris, viveiros comunitários e o aproveitamento sustentável de produtos florestais não madeireiros.
As discussões reforçaram que a escolha de uma estratégia de restauração precisa considerar tanto as características ecológicas quanto os objetivos e necessidades das pessoas envolvidas. Em áreas produtivas, por exemplo, recuperar serviços ecossistêmicos e criar alternativas economicamente viáveis podem fazer parte do mesmo processo.
Essa perspectiva está relacionada à proposta do Bosque Modelo Hileia Baiana para utilização dos fundos-semente do projeto ACA, voltada ao estudo dos potenciais ecológicos e econômicos de Sistemas Agroflorestais em comunidades rurais.
Experiências apresentadas na Chiquitânia também mostraram diferentes formas de aproximar conservação e atividade econômica, desde práticas agropecuárias regenerativas até a estruturação de cadeias de valor ligadas à biodiversidade.
Da produção de conhecimento à sua aplicação

Outro eixo do encontro foi a gestão do conhecimento. Os participantes analisaram como informações produzidas por instituições, pesquisadores e comunidades circulam dentro dos territórios e como podem chegar de forma mais eficiente a produtores, gestores públicos e outros atores.
Nesse debate, o BM Hileia Baiana apresentou como exemplo o trabalho de transformação do conhecimento técnico em materiais acessíveis, como o livro de sementes.
Ao avaliar as capacidades dos diferentes Bosques Modelo, uma das recomendações direcionadas ao Hileia Baiana foi ampliar intercâmbios e espaços para transmitir seus conhecimentos a outros integrantes da rede.
O workshop também discutiu formas de aperfeiçoar o monitoramento dos projetos. Entre as orientações estiveram a combinação de indicadores quantitativos e qualitativos, a incorporação da percepção das comunidades e o acompanhamento contínuo como instrumento não apenas de avaliação, mas de aprendizagem.
A programação incluiu ainda uma visita de campo para conhecer experiências relacionadas à pecuária regenerativa, sistemas silvipastoris, produção, educação ambiental e outras práticas de manejo sustentável.
Para o Programa Arboretum, a participação amplia as possibilidades de cooperação com iniciativas que enfrentam desafios semelhantes em diferentes territórios latino-americanos. Ao mesmo tempo, permite compartilhar conhecimentos já acumulados no BM Hileia Baiana e identificar metodologias que podem ser avaliadas e adaptadas à realidade local.
A experiência reforça uma das bases do trabalho em rede: soluções construídas em um território podem contribuir com outros, enquanto novos conhecimentos retornam à prática local e ajudam a aperfeiçoar ações de restauração, produção, monitoramento e relacionamento com as comunidades.
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