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Programa Arboretum amplia trocas e perspectivas sobre restauração ecológica durante a SOBRE 2026

Por Sentidos Urbanos/Michele Ribeiro MTB 06766 em 22/09/2026
Programa Arboretum amplia trocas e perspectivas sobre restauração ecológica durante a SOBRE 2026

Participação na conferência realizada em Brasília, entre 27 e 31 de julho, reuniu apresentação de experiências do Programa, contato com novas metodologias e reflexões sobre pesquisa, monitoramento e os impactos sociais da restauração.

A participação do Programa Arboretum na 6ª Conferência da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE) abriu espaço para compartilhar experiências construídas nos territórios, acompanhar novas discussões do setor e identificar possibilidades de aprimoramento para sua própria atuação.

Realizada em Brasília, entre 27 e 31 de julho, a conferência teve como eixo a inclusão e a justiça climática e reuniu debates sobre metodologias de restauração, monitoramento, tecnologias, sistemas produtivos e participação social.

Para o Programa Arboretum, estar presente nesse ambiente significa inserir a experiência acumulada em campo em uma rede mais ampla de pesquisadores, organizações, profissionais e comunidades que trabalham com desafios semelhantes em diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo em que acompanha novas abordagens, o Programa também apresenta resultados e metodologias desenvolvidos a partir de sua atuação.

Entre as reflexões que mais se destacaram está a necessidade de compreender a restauração ecológica para além do plantio.

“Não é só o ato de plantar. Não é só a árvore. Não é só a composição da vegetação”, afirma Cátia Hansel - Coordendadora de Projeto Social do Programa Arboretum.

Segundo ela, mesmo do ponto de vista ecológico, implantar vegetação não significa, por si só, que todas as funções de um ecossistema tenham sido restabelecidas. A discussão se amplia ainda mais quando são consideradas as pessoas que vivem e produzem nos territórios onde a restauração acontece.

A dimensão humana da restauração

A inclusão social esteve presente em diferentes momentos da programação da SOBRE. Povos indígenas participaram de mesas e propuseram atividades, enquanto jovens e mulheres também tiveram espaços específicos de discussão.

Entre os temas abordados estiveram o protagonismo de diferentes grupos, questões de gênero e as condições de atuação das mulheres no trabalho de campo. Os debates também incluíram segurança alimentar, geração de renda, cadeias produtivas e bioeconomia.

Essas discussões dialogam diretamente com a experiência do Programa Arboretum, que desenvolve processos de restauração associados a comunidades e sistemas produtivos.

Nesse contexto, a permanência de uma área restaurada não depende apenas de indicadores ambientais. As condições sociais e econômicas do território e o envolvimento das pessoas também podem influenciar a continuidade e o sucesso das intervenções.

Medir impactos para além de mudas e hectares

Outro tema que ganhou destaque durante a conferência foi a forma como os resultados de projetos de restauração são medidos.

Indicadores como número de mudas plantadas e hectares implantados são importantes para acompanhar a execução dos projetos. No entanto, quando a restauração envolve sistemas produtivos e comunidades, esses dados podem representar apenas uma parte dos impactos produzidos.

Cátia utiliza como exemplo os Sistemas Agroflorestais implantados junto a produtores. Além de contabilizar as mudas, seria possível acompanhar quanto aquele sistema produziu, quanto contribuiu para a alimentação da família, se houve geração de renda e quais mudanças ocorreram na dinâmica produtiva.

“Quantos quilos de abóbora a gente agregou na dieta dele?”, exemplifica.

A reflexão aponta para uma oportunidade de ampliar a capacidade do Programa de sistematizar resultados que já estão associados às suas intervenções, mas que nem sempre são registrados com a profundidade necessária.

A questão também evidencia a diferença entre a implantação de áreas, o trabalho de extensão e a realização de pesquisa. Grande parte da atuação do Arboretum está relacionada à implementação de projetos de restauração e ao acompanhamento de comunidades. Já investigar cientificamente os efeitos dessas ações, acompanhar indicadores durante períodos mais longos e organizar dados sociais exige projetos planejados com esse objetivo.

Uma das possibilidades identificadas a partir das discussões da SOBRE é, portanto, incorporar em iniciativas futuras componentes específicos de pesquisa, monitoramento e sistematização de dados.

Esse movimento pode permitir que parte da experiência acumulada em campo seja transformada em conhecimento estruturado, contribuindo tanto para o aperfeiçoamento das ações do Programa quanto para o debate mais amplo sobre restauração ecológica.

Tecnologia e novas formas de monitoramento

As discussões sobre tecnologia também trouxeram referências que podem ser consideradas em projetos futuros.

Felipe Freitas S. Leite – Técnico Ambiental do Programa Arboretum, destaca uma sessão dedicada ao uso de drones no monitoramento de áreas restauradas. Por meio de imagens RGB registradas em diferentes períodos, é possível realizar medições da vegetação e apoiar estimativas relacionadas à biomassa e ao carbono.

A metodologia chamou atenção pela possibilidade de utilização de equipamentos relativamente acessíveis. Parte da infraestrutura necessária, como drone, já está disponível no Programa.

A técnica, entretanto, não será necessariamente incorporada às ações atuais. Segundo Felipe, esse tipo de monitoramento ainda não foi necessário nos projetos desenvolvidos pelo Arboretum, que também não atuou até o momento com projetos relacionados a carbono.

O contato com a metodologia permite, contudo, conhecer previamente uma ferramenta que poderá ser avaliada caso novas demandas surjam. Para o Programa, acompanhar a evolução de tecnologias e técnicas de monitoramento é também uma forma de construir repertório para decidir quais soluções fazem sentido em diferentes projetos e territórios.

Experiências do Arboretum também entram em circulação

A participação na SOBRE não se restringiu ao acompanhamento das discussões. O Programa Arboretum também apresentou experiências e resultados durante as sessões de painéis da conferência.

Foram compartilhados dados do Projeto Pomares da Mata Atlântica  e experiências de educação ambiental associadas à restauração.

Durante as apresentações, integrantes do Programa perceberam que outros participantes reconheciam o nome Arboretum e relatavam já ter ouvido falar da iniciativa. A partir desse reconhecimento surgiram conversas, perguntas sobre as metodologias utilizadas e novos contatos.

O episódio demonstra como experiências construídas em escala territorial começam a circular em uma rede nacional de restauração. A presença em ambientes como a SOBRE permite ao Programa comparar práticas, identificar desafios comuns e compreender de que maneira sua própria trajetória pode contribuir para debates desenvolvidos além de sua região de atuação.

Esse intercâmbio também reforça que a participação em eventos técnicos não representa apenas um processo de aprendizado. O Arboretum chega a esses espaços com experiências acumuladas, metodologias e resultados que podem ser compartilhados com outros atores do setor.

Ao final, o conhecimento percorre um caminho de ida e volta: parte dos territórios onde o Programa atua, entra em diálogo com experiências de diferentes regiões do país e retorna na forma de novas perguntas, contatos, metodologias e possibilidades de aprimoramento.

É nesse movimento entre prática, troca e retorno ao território que a participação em redes nacionais de restauração contribui para a evolução contínua da atuação do Programa Arboretum.

 

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