Mais de 33 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica já foram plantadas pelo projeto Florestas Integradas: Corredor Etnoecológico Maturembá, executado pelo Programa Arboretum / Fundação José Silveira. A ação integra uma estratégia de restauração de 70 hectares na Hileia Baiana, no Extremo Sul da Bahia.
O trabalho realizado alcança as aldeias Mucugê, Corumbauzinho, Craveiro e Canto da Mata, nos territórios indígenas de Barra Velha e Comexatibá, em uma paisagem onde comunidades, áreas produtivas e remanescentes florestais convivem próximos a importantes unidades de conservação, como o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e o Parque Nacional do Descobrimento.

Foram plantadas 33.340 mudas nativas em 20 hectares destinados aos sistemas agroflorestais (SAFs). A implantação ocorreu em julho e representa uma das frentes previstas pelo projeto. Dos 70 hectares contemplados, outros 30 hectares serão conduzidos por restauração ativa, com plantio de mudas, e 20 hectares por regeneração natural assistida associada a ações de enriquecimento.
A adoção de diferentes metodologias considera as características e o potencial de recuperação de cada área. Onde a vegetação necessita de maior intervenção, o plantio ajuda a acelerar a restauração. Em locais com capacidade de regeneração, o manejo busca favorecer os processos que já acontecem naturalmente.
Segundo o técnico de plantio do Programa Arboretum Felipe Freitas de Souza Leite, a diversidade das espécies é parte importante dessa estratégia. “Fazemos um mix de espécies para gerar uma biomassa bem diversificada na área e obter uma resiliência melhor do ambiente”, explica.
Nos sistemas agroflorestais, espécies nativas de diferentes funções são associadas a cultivos de interesse das famílias. Os arranjos incluem espécies florestais, frutíferas e plantas que contribuem para a produção de biomassa, cobertura e melhoria das condições do solo.
Além das mudas nativas, as famílias receberam sementes de feijão, quiabo, milho, abóbora e melancia, podendo escolher três culturas para integrar os quintais agroflorestais. O planejamento prevê ainda a introdução de banana-prata e cacau.
A proposta é aproximar restauração e produção. Enquanto as árvores crescem e ampliam funções ecológicas, culturas de ciclo mais curto podem contribuir com alimentação e geração de renda. Com o desenvolvimento dos sistemas, a vegetação também favorece a formação de microclimas, a conservação da umidade, a incorporação de matéria orgânica ao solo e a presença de polinizadores.
Para Felipe, os benefícios ultrapassam os limites de cada propriedade. “Os quintais viram pequenos núcleos, que se tornam poleiros ecológicos e uma fonte de diversidade genética para o território”, destaca.
Restauração em escala de paisagem

A dimensão territorial é um dos pontos centrais do Florestas Integradas. O projeto não trabalha com áreas isoladas, mas com diferentes pontos de restauração capazes de contribuir para uma paisagem mais conectada.
Entre as ações planejadas está a conexão de 29,5 hectares à um corredor ecológico já formado no território – Corredor Etnoecológico Maturembá, envolvendo áreas das aldeias Craveiro e Canto da Mata. A conexão entre trechos de vegetação pode favorecer o deslocamento da fauna, a dispersão de sementes e outros processos essenciais para a recuperação da Mata Atlântica.
As decisões sobre onde e como restaurar foram antecedidas por diagnóstico de campo e diálogo com as comunidades. Equipe técnica e moradores participaram da identificação das áreas, das análises de solo e do planejamento dos sistemas agroflorestais.
O projeto também prevê ações relacionadas à origem das sementes e à diversidade das espécies utilizadas na restauração, com mapeamento e marcação de 200 árvores matrizes no Parque Nacional do Descobrimento e no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, além do fortalecimento da coleta de sementes realizada pelos núcleos da Rede do Programa Arboretum.
O plantio das mais de 33 mil mudas marca, portanto, uma etapa de uma estratégia mais ampla. Nos 70 hectares, a restauração busca criar novas conexões entre floresta, produção e comunidades, fortalecendo a biodiversidade e a resiliência da paisagem da Hileia Baiana.
O projeto Florestas Integradas é financiado pelo Edital Floresta Viva Conectando Paisagens. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvovimento Econômico e Social - BNDES destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros. O edital Conectando Paisagens tem o apoio do @bndesgovbr e da @inovaland_brasil e tem o @funbio_brasil como parceiro gestor.
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