A restauração de ecossistemas também pode ser uma resposta concreta à insegurança alimentar. Essa é a experiência de cerca de 300 famílias indígenas Maxakali, na Aldeia Pradinho, em Minas Gerais, a partir da atuação do Programa Arboretum, no âmbito do Bosque Modelo da Hileia Baiana, por meio do projeto M?mãtihi (Floresta Viva).

Antes em situação de vulnerabilidade alimentar, as famílias passaram a produzir alimentos para o autoconsumo e, hoje, comercializam excedentes por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade voltada à alimentação escolar. Nesse processo, a floresta restaurada passou a gerar alimento, renda e segurança alimentar, demonstrando como projetos de restauração podem se consolidar como estratégias efetivas de produção de alimentos e fortalecimento social.

O projeto M?mãtihi integra restauração florestal, sistemas agroflorestais e valorização dos saberes tradicionais, promovendo segurança alimentar ao mesmo tempo em que fortalece o cuidado com a Mata Atlântica em território indígena. Ao todo, foram implantados aproximadamente 33 hectares, sendo 20 hectares de sistemas agroflorestais (SAFs) e 13 hectares de restauração florestal, com o plantio de mais de 65 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Esses sistemas passaram a produzir alimentos diversos, fortalecendo a dieta das famílias e ampliando sua autonomia.

Os resultados alcançados são fruto de uma articulação institucional. Um dos destaques é a parceria com o Instituto Opaoká, por meio do projeto Hamhi Terra Viva, que contribuiu com mutirões de plantio, oficinas socioambientais, formações técnicas e processos de troca de saberes, fortalecendo o protagonismo indígena nas ações de restauração florestal e no desenvolvimento das agroflorestas em território Maxakali.
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